Dossiê
A terra Yanomami é um país. Nove milhões e meio de hectares, demarcados em 1992 por decreto presidencial, com povos isolados, rios que não constam em mapa e uma única certeza histórica. Sempre que o garimpo se acomoda, o sistema de saúde caminha para o colapso. Em 2023 a Casa Civil decretou emergência. O que apareceu nas fotos do começo daquele ano foi um povo desnutrido, com malária recorrente e crianças abaixo do peso. Não foi um desastre natural. Foi uma escolha política antiga, sustentada por silêncio de gestões anteriores. A desintrusão começou e, três anos depois, ainda corre. Os números mais recentes mostram queda forte de novas áreas de garimpo, sinal de que a operação contínua funciona, mas também de que a paz só dura enquanto a vigilância dura.