Dossiê
Alcântara é um caso de tempo. Em 1980 o Maranhão decretou a utilidade pública das terras. Em 1986 começaram os remanejamentos forçados. As 152 comunidades quilombolas que viviam ali há gerações foram empurradas para agrovilas distantes do mar, distantes da pesca, distantes do modo de vida que sustentava aquela ocupação. O Estado chamou de progresso. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2025, chamou pelo nome jurídico. Violação. A sentença reconheceu o que os mais velhos diziam desde o começo, e impôs ao Brasil a titulação do território e a reparação às famílias. O artigo 68 do ADCT já bastaria. Foram quarenta anos para ele ser cumprido.