AM · Autazes · Mineração

Povo Mura de Autazes e o potássio

Em curso judicial
Mineradora canadense avança sobre terra Mura reivindicada há mais de duas décadas, sem consulta livre e com licença estadual contestada.

Dossiê

Em Autazes, a história não começa em 2009, quando a Potássio do Brasil chega às margens do Madeira com a promessa de uma das maiores minas de potássio do mundo. Começa antes, no pedido de demarcação que os Mura levaram à Funai em 2003 e que ainda não virou portaria. Entre uma data e outra cabe uma operação simples. Enquanto a terra dos Mura segue em estudo, a terra do projeto avança em licenciamento, e a Convenção 169 da OIT, que exige consulta livre, prévia e informada, é tratada como detalhe processual. Em 2024, o Ipaam concedeu licença de instalação ao empreendimento e o MPF reabriu ação na Justiça Federal. A pergunta que o caso devolve é antiga. Demarcação parada tem preço, e quem paga não é a mineradora.

Linha do tempo

2003
Mura pedem à Funai demarcação da TI Lago do Soares
2009
Potássio do Brasil inicia disputa às margens do Madeira
2016
MPF ajuíza primeira ação civil pública contra o licenciamento
2024
Ipaam concede licença de instalação e MPF reabre ação
2026
Cimi denuncia desmatamento dentro da TI Lago do Soares