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Munduruku e o garimpo no Tapajós

Desintrusão em curso
Após quase vinte anos, o MJ declarou a TI Sawré Muybu; território segue invadido por garimpo, com mercúrio acima do limite da OMS no sangue dos Munduruku.

Dossiê

Em Sawré Muybu o calendário não fecha. O processo de identificação começou em 2007. O relatório circunstanciado, com cento e setenta e oito mil hectares delimitados, foi concluído em 2016. A portaria declaratória do Ministério da Justiça só veio em 2024, quase dezessete anos depois. No meio desse tempo, o que entrou foi o garimpo. O mercúrio que cai no rio sobe na cadeia alimentar e desce no sangue dos Munduruku. Exames feitos pela Fiocruz encontraram crianças com índices acima do limite da OMS. O artigo 231 da Constituição garante posse permanente e usufruto exclusivo dos rios às comunidades indígenas. A desintrusão é, neste caso, a forma jurídica de uma obrigação sanitária urgente.

Linha do tempo

2007
Funai inicia processo de identificação da TI Sawré Muybu
2016
Relatório circunstanciado delimita 178 mil hectares
2023
MPF anuncia medidas contra contaminação por mercúrio
2024
MJ assina portaria declaratória de posse Munduruku