AM · Apuí · Crédito de carbono

Greenwashing: grilagem e crédito de carbono

Em curso judicial
PF deflagrou em 2024 a Operação Greenwashing contra esquema de R$ 180 milhões em créditos de carbono gerados sobre 530 mil hectares grilados.

Dossiê

O esquema é elegante na perversão. Primeiro alguém grila a terra pública. Inventa documento, registra cartório complacente, derruba o suficiente para mostrar posse. Depois apresenta a mesma terra a um certificador de carbono dizendo que vai preservá-la, e cobra do mercado internacional para evitar um desmatamento que, no fim, ninguém ia mesmo cometer ali. A floresta segue em pé, o crédito é vendido, todo mundo declara que cumpriu a meta climática. A Polícia Federal chamou isso, em 2024, pelo nome de Operação Greenwashing. Os danos ambientais foram estimados em mais de seiscentos milhões de reais. O ponto jurídico mais fundo é outro. O sistema brasileiro de cadastro fundiário, que devia ser controle, virou prova. Tornou-se mais fácil grilar e certificar do que regularizar e produzir.

Linha do tempo

2021
Início da expansão do esquema em Apuí e Nova Aripuanã
2024
PF deflagra Operação Greenwashing
2024
PF indicia 31 pessoas; danos estimados em R$ 606 milhões