Dossiê
O esquema é elegante na perversão. Primeiro alguém grila a terra pública. Inventa documento, registra cartório complacente, derruba o suficiente para mostrar posse. Depois apresenta a mesma terra a um certificador de carbono dizendo que vai preservá-la, e cobra do mercado internacional para evitar um desmatamento que, no fim, ninguém ia mesmo cometer ali. A floresta segue em pé, o crédito é vendido, todo mundo declara que cumpriu a meta climática. A Polícia Federal chamou isso, em 2024, pelo nome de Operação Greenwashing. Os danos ambientais foram estimados em mais de seiscentos milhões de reais. O ponto jurídico mais fundo é outro. O sistema brasileiro de cadastro fundiário, que devia ser controle, virou prova. Tornou-se mais fácil grilar e certificar do que regularizar e produzir.