PA · Altamira · Barragens

Belo Monte e a Volta Grande do Xingu

Em curso judicial
Desvio do rio para as turbinas reduziu em 80% a vazão de trecho de cem quilômetros, secou igapós e devastou a pesca de ribeirinhos e indígenas.

Dossiê

Belo Monte é o caso brasileiro em que o vocabulário técnico mais agride a realidade. A barragem não secou o Xingu. Secou um trecho específico, o da Volta Grande, e secou um modo de vida. Os Juruna criaram o próprio sistema de monitoramento, o Mati-VGX, em parte porque desconfiaram dos dados oficiais. As medições deles confirmam o que qualquer ribeirinho daquela curva do rio sabe sem precisar de instrumento. O peixe sumiu, o igapó morreu, a navegação perdeu calado. O ponto jurídico que sobrevive é a validade do Hidrograma de Consenso, o documento que define quanta água a Norte Energia precisa devolver ao trecho desviado. Discutir esse hidrograma é discutir, no fundo, quanto custa, em moeda corrente, a vida que dependia daquele rio antes da turbina.

Linha do tempo

2010
Leilão da UHE Belo Monte vencido pela Norte Energia
2016
Início da operação comercial
2022
Juruna criam o Monitoramento Ambiental Independente (Mati-VGX)
2026
Estudos confirmam seca persistente na Volta Grande